Sistemas de produção de bovinos na agroecologia
Nesse documento serão descritos processos importantes no desenho de sistemas de bovinocultura manejadas a base de pasto. Inspirados nos trabalhos de sistemas de pastoreio racional voisin e agroflorestas, os sistemas silvopastoris visam proporcianar boa produção forrageiras, em pastagens com 3 andares: herbáceas, arbustivas e florestais. Também conservação de solo, controle de erosão, paisagismo e diversos serviços ecossistêmicos relacionados à presença das árvores nas paisagens
Divisão da pastagem em piquetes
Os piquetes serão pensados considerando as diferentes categorias de animais e tendo em mente que quanto mais parcelas, mais eficiente será o manejo. Maior eficiência implica e manejo diários dos animais, o que acontece com a produção de leite, que se recomenda pelo menos 40 parcelas para as vacas em leite. Para animais em corte, devemos pensar em pelo menos 8 piquetes, para que se tenha um tempo de ocupação médio de 5 dias em cada parcela. Médio porque se tem muitos fatores associados ao tempo em que uma pastagem chega no ponto ótimo de repouso, como: a qualidade do solo, a situação geográfica, as espécies forrageiras e as condições de temperatura e umidade.
Outros piquetes também são importantes organizar como: piquetes para os animais em pré parto, para os animais em recria, vacas secas e touros, além das instalações para os bezerros que devem ser ajustado caso a caso em função da raça, mão de obra e objetivo da produção. Em média a alocação de bebedouros e cercas custam 4 mil reais/ha, com uma carga animal de 2 cabeças por hectare.
Alocação de bebedouros em todas as parcelas
Os bovinos consomem por dia cerca de 80 litros de água, e para cada litro de leite produzido são necessários mais 5l de água.
Rebanhos com acesso a água dentro dos piquetes produzem mais leite do que aqueles com bebedouros fora do piquete.
A presença dos bebedouros nos piquetes garante que a bosta e a urina fiquem concentrados em cada parcela e também que os animais possam ser fechados no piquete permitindo o trânsito de outros lotes nos corredores.
Além disso diminui os efeitos da hierarquia social dos bovinos, podendo os animais mais submissos acessarem o bebedouro enquanto os dominantes estão em outras partes do piquete.
Coleta periódica de solo para correção e adubação das parcelas de forma parcelada e em superfície
Costumamos dizer que um bovino engorda em 3 meses, uma pastagem se recupera em 5 anos e um solo demora anos e anos para formar 1 cm. Nesse sentido o manejo feito deverá sempre considerar em primeiro lugar as exigências do solo.
Além de práticas de conservação de solo como curvas de nível com ou sem plantio e as bacias de contenção de água da chuva para controle de erosão das estradas, as adubações e calagens sempre que possível em superfície e de forma parcelada, visando melhorar gradualmente a qualidade do solo.
Priorizar a formação de pastagem polifítica, considerando intervenções de baixo revolvimento de solo e espécies forrageiras adaptadas
A pastagem tem uma relação direta com a qualidade do solo. Solos com menores teores de nutrientes suportam forrageiras menos exigentes e de menor qualidade. O contrário também é verdadeiro: solos de melhor qualidade suportam forrageiras mais exigentes e que em geral são de melhor qualidade.
Para formação da pastagem é necessário compreender o histórico daquele local e como que se encontra a pastagem, sendo avaliado caso a caso se é necessário a reforma da pastagem ou sua recuperação.
Na maior parte dos casos deve ser feita a recuperação da pastagem, situações em que se tem um pasto formado, porém precisando de um melhor manejo, processo esse feito na presença dos animais. Nesse caso a primeira recomendação é fazer os piquetes e colocar os bebedouros para o pasto ali presente conseguir mostrar seu desempenho. Insumos para adubação e calagem são feitos em superfície e prioriza que os animais bosteiem e urinem nos piquetes, ativando a vida do solo.
Alocação de árvores em todas as parcelas, considerando plantio de árvores para sombra e para consumo dos bovinos
As árvores oportunizam uma série de benefícios para os sistemas produtivos, podendo também servir de sombra e alimento aos bovinos quando em consórcio com a pastagem. As árvores, arbustos ou palmeiras podem ser escolhidas por critério como: fixação de nitrogênio, ser forrageira, fornecer uma boa meia sombra ou crescer rápido.
Linhas silvopastoril são indicadas nas divisas dos piquetes, e podem conter arbustos como a amora, hibiscos, pau-ferro, mutambo e a leucena que manejadas na altura dos animais podem ser ramoneadas por eles no momento de entrada nos piquetes.
Nessa linha podemos prever também espécies com outras funções, como as palmeiras, como exemplo o jerivá cujos frutos podem ser consumidos pelos bovinos, a bracatinga que servirá pra lenha e é uma leguminosa e o eucalipto que cresce rápido apoiando a conservação de solo e a formação de sombra.
Bosques de árvores em meio aos piquetes também podem ser pensados, e esse modelo favorece para que se tenha uma sombra em todo o piquete o que oportuniza a dispersão de bosta e urina de forma mais homogênia no piquete.
Outra opção são os bancos de proteina plantando majoritariamente com espécies forrageiras de primeiro e segundo andar para serem consumidos algumas horas do dia no inverno.
Em todos esses casos se deve pensar o uso da cerca, convencional ou elétrica para contenção dos animais.
Planejamento forrageiro visando manter uma dieta de qualidade e em quantidade o ano todo para os bovinos
Um bovino consome em média 50 kg de pasto verde por dia e a sazonalidade da produção de pasto acontece em todos os lugares do mundo, sendo necessário produzir alimento em um período do ano e guardar para outro período, cuja produção de pasto é menor. Algumas opções são feno, silagem, sobressemadura de pastagem de inverno e os bancos de proteínas. Quando com baixa capacidade de mecanização uma boa forrageira é a cana de açucar que possibilita cortes do alimento fresco para fornecimento aos animais.
Escolha de raças adaptadas
O processo de melhoramento genético tem oportunizado a formação de raças adaptadas à diversos sistemas de manejo,condições edafoclimáticas e objetivos.Isso permite que os animais possam expressar todo seu potencial genético e produzir de acordo com o esperado para raça.
A adaptação ao meio é fundamental para garantir produção adequada, baixa incidência de doenças e apropriado desempenho reprodutivo dos animais.
Construção de protocolos para manejo da saúde do rebanho.
A prevenção de problemas de saúde, tendo como referência controle de problemas em nível do rebanho é de grande relevância para a medicina de bovinos. Nessa abordagem são realizados esforços para manter um alto nível de saúde, evitando a realização de tratamentos e cuidados médicos em indivíduos por doenças ou problemas que podem ser evitados.
Alguns exemplos de recomendações na perspectiva da medicina preventiva:
- Vacinação
- Adoção de boas práticas de ordenha e ou manejo dos bovinos de corte
- Programação da evolução do rebanho
- Manejo racional das pastagens
- Protocolos de manejo alimentar
- Cuidados com bezerras e novilhas
- Homeopatia
- Elaboração de registros e indicadores, que irão subsidiar a necessidade de ajustes de manejo.